Bajara Teatro de Encantarias

Bajara Teatro de Encantarias

quinta-feira, 19 de maio de 2011

            No movimento das águas...









                                                                           
                                                                           


      traçando os passos
          do imaginário...











...que conduzem aos lugares poucos vistados na memória da vida...


                                                        

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Investigadores de memória



 Depois de alguns encontros voltados a integração dos grupos, onde as histórias das avós se misturaram com o imaginário realizado pelo drama infantil, e o drama juvenil trouxe a memória emocional dos tempos da infância de volta ao corpo dos jovens, os trabalhos (passeios) de campo se iniciam com os primeiros personagens em cena: os investigadores de memória.
Divididos em dois eixos (histórias do Lago Verde, as crianças  e do Povo Borari, jovens) as investigações tem como foco inicial, ouvir histórias dos canoeiros vividas no Rio Tapajos e no Lago Verde,  e também entrevistar os decendentes dos primeiros habitantes da Vila.


As histórias do Lago já chegam  nos nossos ouvidos  ao som do remo, das águas e sob elas visualizamos em tempo real o acontecido do moço. Ao voltar da aventura,  o desenho da parte que mais gostou da história fica na areia da praia e depois descrito em palavras individualmente o causo no papel segundo o imaginário de cada um.




Desta maneira a dramaturgia vai tecendo algumas direções...   



...sob os encantos das águas e dos sentimentos mais cristalinos.

Como diziam as avós do Monte

      
  Aproximados os trintas dias que deságuo no Monte do Chão[1], as andanças caminham em direção as pegadas das gerações que abriram algumas trilhas nesse pedaço de terra tapajônica. Iniciamos o processo criativo a partir de algumas lendas nascidas com as infâncias das avós que viveram a Vila.

 
 
museu do índio atualmente em ruínas
   

       As crianças recontam a sua maneira, e no “não sei se é verdade” deram vida a momentos que não voltam mais. Ouvimos muitos causos como a lenda do Museu do Indio (hoje em ruínas) que inclusive foi a escolhida pelo grupo para virar uma espécie de jogo da memória. Esta lenda foi recontada pelo João, caboclinho neto de vovó nativa.

     Compartilho ao meio um fragmento visual registrado no brotinho de uma cena criada por eles, onde as tucandeiras do compositor regional Celdo Braga aqueceram as brincadeiras para na memória do povo tukano de Manaus tocarem o ritmo da cena.



[1] Monte do Chão nome dado pelo povo Borari antes da chegada dos portugueses que fizeram da aldeia sede da missão de N.S. de Purificação dos Boraris.







 

domingo, 15 de maio de 2011

Corpo e Sociedade

                                               
                                                               
 Ainda que para muitos, o corpo seja a casa de um punhado de órgãos, pensamentos, sensações, sentimentos e algumas funcionalidades, muitas investigações no campo poético das relações psicofísicas vem sendo discutidas a séculos. A dança enquanto uma manifestação milenar nos indica alguns caminhos dentro e fora dos estudos sobre o universo corpo, mente e sociedade. 
    Por aqui a busca ainda é dar muitas voltas em torno de pequenos passos, de acordo com as formas e maneiras de olhar sobre um ponto de interrogação no espaço, e na falta dele. Corpo e sociedade dialogam enquanto infância.


  O teatro e a dança neste atual contexto amazônico molham os pés em meio a uma forte resistência cultural  mergulhada na luz da escuridão. E este fragmento luminoso revela aos remos o cotidiano de um povo que, em diálogo com muitos outros, desencontra o lugar de suas palavras  em seu próprio lugar.
  Hoje, enquanto silêncio, o tempo cria impulsos e me faz questionar: em que tempos queremos viver...


   De tempos em tempos esta pergunta se refaz no imaginário de quem sonha por novos tempos, e o corpo que levanta e acorda sem despertar segue o fluxo do seu habitat ao passar despercebido sob o tempo que lhe cabe.


   A falta de memória é a renovação das relações industrializadadas. Para uma cultura que transmitiu as suas relações fortemente fundamentadas pela oralidade, o impacto inaudível de um turismo predador alcança dimensões incalculáveis , enquanto as tradições e saberes locais se transmutam em resistência. 
  Resistimos, existimos e movimentamos um corpo na sua imensidão. Assim já nos orienta as danças circulares sagradas, sob a roda que gira em torno do vazio para no calor das mãos aquecermos o corpo e a partir do outro gerarmos mais calor, ou seja, a luz.
  Por isso insisto nesta  luz, onde podemos enxergar em cada olhar a sociedade que queremos viver em nossos tempos, em nossa memória e em nossos corações.






“O Corpo é uma multidão excitada, uma espécie de caixa de fundo falso que nunca mais acaba de revelar o que tem dentro. E tem dentro toda a realidade . Querendo isso dizer que cada indivíduo existente é tão grande como a imensidão inteira, e pode-se ver na imensidão inteira.”
                                                                                                                                           (Antonin Antaud)